sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Falando de Virtudes: Compaixão!


" A compaixão tem má reputação; ninguém gosta de ser objeto dela, nem tampouco de senti-la. Isso a distingue nitidamente, por exemplo, da generosidade. Compadecer é sofrer com, e todo sofrimento é ruim. Como a compaixão poderia ser boa?

No entanto, a linguagem nos adverte, também aqui, para a não rejeitarmos tão depressa assim. Seus contrários, podemos ler nos dicionários, são dureza, crueldade, frieza, indiferença, secura de coração, insensibilidade... Isso torna a compaixão amável, ao menos por diferença. Depois seu quase sinônimo , em todo casou seu duplo etimológico , é simpatia, que em grego exatamente o que compaixão diz em latim. Isso deveria recomendá-la à nossa atençaõ: num século em que a simpatia desempenha um papel tão importante, por que a compaixão é tão mal vista? Sem dúvida porque se preferem os sentimentos às virtudes. Mas que pensar então da compaixão, se é verdade, como nisso, nessa ambiguidade, que ela encontra uma parte da sua fraqueza e o essencial de sua força?

Antes de mais nada , porém, uma palavra sobre a simpatia. Que qualidade é mais sedutora? Que sentimento é mais agradável? Essa mistura , que constitui seu encanto, já é singular: a simpatiaé, ao mesmo tempo, uma qualidade ( quando a suscitamos, quando somos simpáticos) e um sentimento ( quando a sentimos, quando temos simpatia). "


SPONVILLE-André Comte. Pequeno Tratado das Grandes Virtudes


Nenhum comentário: